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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

À mesa do vento



Na data de nascimento do grande Poeta António Ramos Rosa realizou-se uma tertúlia na "sua casa" - Biblioteca António Ramos Rosa em Faro.
Interessante, como sempre, falar e ouvir falar do grande Poeta , recentemente falecido.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Recordando António Ramos Rosa (17.10.1924 - 23.09.2013)

Partiu hoje o grande Poeta , natural de Faro, António Ramos Rosa.
Estamos todos mais pobres.
Foi um dos mais importantes poetas da literatura portuguesa .
E um dos impulsionadores do movimento Poesia 61 , tendo ganho o prémio Pessoa 1988.
Mais informação aqui.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher

                                                         Quadro de Michael e Inessa Garmash



A Mulher

Se é clara a luz desta vermelha margem
é porque dela se ergue uma figura nua
e o silêncio é recente e todavia antigo
enquanto se penteia na sombra da folhagem.
Que longe é ver tão perto o centro da frescura

e as linhas calmas e as brisas sossegadas!
O que ela pensa é só vagar, um ser só espaço
que no umbigo principia e fulge em transparência.
Numa deriva imóvel, o seu hálito é o tempo
que em espiral circula ao ritmo da origem.

Ela é a amante que concebe o ser no seu ouvido, na corola
do vento. Osmose branca, embriaguez vertiginosa.
O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar.
Quase dorme no suave clamor e se dissipa
e nasce do esquecimento como um sopro indivisível.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Poesia 61


Olhando o artigo de Maria Teresa Horta - Poesia 61,uma memória- publicado no Jornal de Letras,Artes e Ideias nº 1075 e do qual transcrevemos:
"Há precisamente 50 anos, a Poesia 61 lançava algumas sementes de renovação da literatura portuguesa. Um momemto de viragem protagonizado por Luiza Neto Jorge, Fiama Hassse Pais Brandão, Gastão Cruz, Casimiro de Brito e Maria Teresa Horta, que aqui recorda esse tempo de trocas,simbioses e lutas poéticas"
E ainda:
"E como centro aglutinador, havia o poeta António Ramos Rosa, que afinal os juntara,acreditava e encorajava a derrubar os limites impostos à linguagem"
Um artigo muito bem elaborado sobre esta temática, a ler.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

António Ramos Rosa



Um gesto sem paisagem
sem horizonte ou casa
sem o outro
não chega a ser um gesto
será talvez um esgar
um grito que sufoca
tal como um rio se perde
sem as suas margens

                     António Ramos Rosa, A intacta ferida, ( 1991)

sábado, 9 de julho de 2011

António Ramos Rosa



Poema dum Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só
António Ramos Rosa, o grito claro (1958)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

António Ramos Rosa









António Ramos Rosa

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

Viagem através de uma nebulosa (1960)