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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Nuno Júdice

Ao poeta algarvio Nuno Júdice foi atribuido o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero Americana, como reconhecimento da sua obra poética.
Ver mais informação aqui.



POEMA

Penso na repetição que
se verifica no movimento das marés
e das luas. Existem
ciclos, como círculos, que
são previsíveis e perfeitos. Mas,
apesar disso, têm
um mistério que nem os iniciados
resolvem. Por que terá tudo de ser
assim, desde a origem até ao
fim dos tempos? Não me respondes; nem
eu esperava que tivesses a resposta,
enquanto me enchias um copo,
de acordo com a lei da gravidade.
                                                  Nuno Júdice, Meditação sobre ruínas,1994

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Poesia 61


Comemorando os 50 anos do movimento Poesia 61, realizou-se no passado sábado, dia 14, na Biblioteca António Ramos Rosa, em Faro, uma sessão comemorativa que contou com as presenças de Casimiro de Brito e Gastão Cruz e também de Nuno Júdice com a conferência "Ler hoje a Poesia 61 ".
Patrícia Jesus Palma proferiu seguidamente a Conferência - "Tipografia Cácima: um acaso ou a herdeira de um percurso de vanguarda?"


  

Também a revista Colóquio Letras nº 177,  de Maio/Agosto de 2011, foi dedicada a este tema e  ilustrada com reproduções de quadros  do  pintor  farense  Manuel Baptista.
Após as conferências, foi inaugurada, na Galeria Arco, uma exposição sobre a Tipografia Cácima e o movimento Poesia 61.

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher

                                                      Quadro de Michael e Inessa Garmash



Gosto das mulheres que envelhecem

Gosto das
mulheres que envelhecem,
com a pressa das suas rugas, os cabelos
caídos pelos ombros negros do vestido,
o olhar que se perde na tristeza
dos reposteiros. Essas mulheres sentam-se
nos cantos das salas, olham para fora,
para o átrio que não vejo, de onde estou,
embora adivinhe aí a presença de
outras mulheres, sentadas em bancos
de madeira, folheando revistas
baratas. As mulheres que envelhecem

sentem que as olho, que admiro os seus gestos

lentos, que amo o trabalho subterrâneo
do tempo nos seus seios. Por isso esperam
que o dia corra nesta sala sem luz,
evitam sair para a rua, e dizem baixo,
por vezes, essa elegia que só os seus lábios
podem cantar.

Nuno Júdice