Quadro de Michael e Inessa Garmash
MULHER
Para entender uma mulher
é preciso mais que deitar-se com ela…
Há de se ter mais sonhos e cartas na mesa
que se possa prever nossa vã pretensão…
Para possuir uma mulher
é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase
numa cama, em uma seda, com toda viril possibilidade… Há de se conseguir
fazê-la sorrir antes do próximo encontro
Para conhecer uma mulher, mais que em seu orgasmo, tem de ser mais que
amante perfeito…
Há de se ter o jeito certo ao sair, e
fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso…
- O potente, o amante, o homem viril, são homens bons… bons homens de
abraços e passos firmes…
bons homens pra se contar histórias… Há, porém, o homem certo, de todo
instante: O de depois!
Para conquistar uma mulher,
mais que ser este amante, há de se querer o amanhã,
e depois do amor um silêncio de cumplicidade…
e mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder.
É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou café… Há que ser mulher,
por um triz e, então, ser feliz!
Para amar uma mulher, mais que entendê-la,
mais que conhecê-la, mais que possuí-la,
é preciso honrar a obra de Deus, e merecer um sorriso escondido, e também
ser possuído e, ainda assim, também ser viril…
Para amar uma mulher, mais que tentar conquistá-la,
há de ser conquistado… todo tomado e, com um pouco de sorte, também ser
amado!
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 8 de março de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Rabirruivo
Olhando o Rabirruivo preto (Phoenicurus ochruros)
Ave, insectívora, que apresenta plumagem do corpo cinza muito escuro, cabeça preta, cauda vermelha alaranjado,cor de ferrugem e painel de asa branca.
Tem um comportamento característico, oscilando a cauda e agitando-se continuamente.
A sua vocalização é semelhante à do pisco de peito ruivo e canta muito ao amanhecer.
terça-feira, 6 de março de 2012
Ria de Alvor
Olhando a Ria de Alvor e a sua actividade piscatória, no caso a apanha de bivalves, ameijoa e lingueirão.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Melga
Olhando uma Melga ( Tipulidae oleracea) que teimava entrar para casa e ficou agarrada ao vidro de uma das janelas.
sábado, 3 de março de 2012
Fernando Pessoa
Ah, quanta
vez, na hora suave
Em que me
esqueço,
Vejo passar
um voo de ave
E me
entristeço!
Porque é
ligeiro, leve, certo
No ar de
amavio ?
Porque vai
sob o céu aberto
Sem um
desvio ?
Porque ter
asas simboliza
A liberdade
Que a vida
nega e a alma precisa ?
Sei que me
invade
Um horror de
me ter que cobre
Como uma
cheia
Meu coração,
e entorna sobre
Minh'alma
alheia
Um desejo,
não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei
quê do voo suave
Dentro em
meu ser
in Poesias
de Fernando Pessoa ( 5-8-1921), Ática
sexta-feira, 2 de março de 2012
Fuselo
Olhando, na Ria Formosa, o Fuselo (Limosa lapponica)
Trata-se de uma ave limícola, invernante, semelhante ao maçarico de bico direito, tendo as patas e o corpo mais pequeno.
Alimenta-se de insectos, moluscos e crustáceos, mais activo que o maçarico de bico direito, depende mais da visão que do tacto para encontrar as presas.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Provérbios do mês de Março
A Senhora de
março traz o cestinho no braço
Água de
Março, pior que nódoa no pano
Água de
Março, quanta o gato molhe o rabo
Bodas em
Março é ser madraço
Dia de Março,
dia de três ventos
Em Março
chove cada dia um pedaço
Em Março
espetam-se as rocas e sacham-se as hortas
Em Março nem
migas, nem couves, nem esparto
Em Março, nem
rabo de gato molhado
Em Março
queima o velho o maço
Em Março
tanto durmo como faço
Enxame de
Março apanha-o no regaço; o de Abril não o deixes ir; o de Maio deixa-o
O grão em
Março nem em casa nem no saco
Quando em
Março arrulha a perdiz, ano feliz
Se queres bom
cabaço semeia-o em Março
Semana santa
em Março, ou fome ou mortaço
Março
chuvento, ano lagarento
Quando Março
sai ventoso, sai o Abril chuvoso
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